2016: patriotismo

Outubro 3, 2009

Parabéns para o Brasil. Parabéns para o Rio de Janeiro. Vi uma cena bonita ontem: enquanto sacolejava no ônibus rumo ao trabalho, recebi a ligação de minha querida mãe que entusiasmada me contou da vitória do Rio, e, ao mesmo tempo em que falava com ela, percebi que diversos outros celulares se manifestaram. Cheguei a contar, consegui ver oito pessoas falando ao telefone, que durante a conversa abriam um largo sorriso de satisfação. Após desligarem, conversavam com a pessoa mais próxima. Logo o ônibus todo estava contagiado, o burburinho cresceu e se transformou em fuzuê. Um passageiro um tanto efusivo, em um momento de sincera euforia, levantou de seu assento proferindo gritos de “viva o Brasil”.

Fico feliz com esse sentimento que nos contagia. Mas é um sentimento que surge apenas quando competimos com alguém de fora: futebol contra a Argentina, vôlei contra Cuba ou a disputa para sediar as Olimpíadas contra Espanha, Japão e Estados Unidos. Quando estamos aqui dentro, vivendo um dia após o outro, somos brasileiros, mas não tanto quanto deveríamos ser. Não estou pedindo que gritemos diariamente ao amanhecer um “viva o Brasil”, mas que cuidemos da nossa pátria amada.

Agora, além de torcermos para que nossos políticos, que tem a ganância como maior “virtude”, não desviem a grana destinada para melhorias na infra-estrutura do Rio para seus gigantescos e esfomeados bolsos, temos que exigir contas abertas, orçamentos transparentes para todos os cidadãos, afinal, para quem não lembra ou não sabe, o orçamento do Pan estourou, e não foi um pouquinho, quadruplicou. Incompetência ou corrupção? Acredito que foram os dois. Os resultados foram obras mal pensadas, dólares em paraísos fiscais, e pizzas, muitas pizzas.

A ministra Dilma Rousseff disse que uma comissão especial dentro da Controladoria Geral da União (CGU), será criada para fiscalizar e dar transparência à aplicação de recursos gastos nas Olimpíadas. Tomara. E que tudo fique explicado para nós em um site que todos possam acessar. Afinal a internet é a arma mais eficiente de troca de informação.

Ganhamos o direito de sediar as Olimpíadas, e não temos que parar por aí, agora precisamos mostrar para o mundo que somos um país que merece respeito, um país que pode organizar um evento mundial. Temos que fazer bonito e jus à nossa vitória. Esta, que na minha opinião, é muito mais uma tendência mundial: a tendência à primeira vez. Primeiro presidente negro da nação mais influente do mundo, primeira Copa na África, e agora, as primeiras Olimpíadas na América do Sul (e é por essa tendência que o Brasil terá duas candidatas a presidência que terão chances claras, Dilma e Marina – mas isso é outro assunto). Somos os primeiros, carregamos responsabilidade. A primeira vez é inesquecível, como tão bem eternizou Olivetto, e como disse Roberto da Matta, tem um grande significado para a vida, “toda primeira vez sinaliza um empacotamento da vida, toda estreia assinala a possibilidade de (re)fazer uma história que, por ter início, meio e fim, aniquila um pouco a indiferença de um mundo sabiamente contínuo e, por isso mesmo, indiferente ao pipocar de vida e de paixão que eventualmente surge em seu seio”.

Sejamos patriotas sim, mas de maneira justa. Sejamos patriotas na saúde e na doença, sejamos patriotas no dia-a-dia. Participemos desta primeira vez. E que nosso sentimento não passe da euforia, por conta da recente vitória, para a crítica, se algo der errado. Cobremos agora, que tudo dará certo e representaremos bem a primeira vez do Rio, do Brasil e da América do Sul.

Valeu Rio. Não tenho muita opinião formada sobre a realização ou não das olimpíadas aqui na Cidade Maravilhosa, mas há de se comemorar.

Vídeo da campanha: